Bom dia!
Escrevo numa sexta-feira santa. Um dia triste - o dia que relembra a morte de Jesus. Uma morte que nos recorda que a morte pode não ser o fim!
Pela manhã li Job 17: 7 que diz "Meus olhos estão inchados de tanto chorar; sou apenas sombra do que já fui."
Quando leio estes versículos e penso na história de Job, compreendo a magnitude das suas palavras. A dor pode ser um cárcere da nossa alma. Podemos deixar-nos aprisionar pela força do que sentimos mediante as circunstancias. E nesse cárcere não conseguimos ser nós mesmos, não conseguimos encontrar força ou alegria nos novos dias. Job lidou com a perda de bens e, pior ainda, com a perda dos filhos. Não há maior dor!
Existem momentos que a força da angústia e dos acontecimentos nos roubam quem um dia fomos, o que um dia sentimos. E nesse momento se não nos relembrarem de quem somos, podemos perder-nos no caminho e nunca mais recuperar. Já ouviram falar de "raízes de amargura" ou de pessoas que se tornaram amargas devido a traições, perdas, dores? É um lugar onde não nos queremos encontrar, acredito!
O que podemos fazer em relação a isso? Eu creio que precisamos rodear-nos das pessoas certas, daquelas que trazem luz, que nos iluminam, que nos dão palavras que são mais fortes que qualquer coisa. Palavras que produzem vida em nós. Quando algo murcha em nós, precisamos que alguém nos ajude a florescer. A Palavra de Deus também é um lugar seguro: lembra-nos da nossa identidade e da forma como Deus prometeu estar sempre connosco.
Certas circunstâncias vão-nos quebrar, angustiar, mas não nos devem mudar a não ser que seja uma mudança produtiva, aquela mudança que é feita pelo fogo: uma purificação e compreensão do que pode e deve ser mudado! Mas não devem mudar quem somos! Precisamos continuar a ser quem somos para o propósito que fomos criadas. Algumas coisas Deus usará para se glorificar e poderá transformar a maldição em benção.
E a morte pode muito bem acontecer numa sexta, passar pelo sábado e encontrar alegria num domingo! Não precisamos ficar toda a nossa vida numa sexta-feira. Podemos ansiar pelo domingo e quando ele vier, que a ressurreição do nosso sorriso, da nossa vontade de realizar, da paz e da alegria de viver retornem e criem um tempo de esperança e luz. Damos pequenos passos...
Abraço de coragem,
Cátia