quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Quero lembrar-me daquilo que me dá esperança....

 "Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

    As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade.
A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.
Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca."

 Lamentações 3:21-25
    
    Não sei ainda porque continuo a escrever....isto dos blogs está a ficar ultrapassado! Numa sociedade em que tudo é rápido, ver pequenos vídeos é mais confortável e eficaz. Porém leiam-me ou não, a escrita é para mim uma forma de expressar e de me libertar de algumas emoções. Funciona como um amigo que me ouve e também é a minha forma criativa de estar na vida. Desde que me conheço que escrevo...prosa, poesia, o que for! Faz-me bem à alma usar a palavra escrita para falar do que o coração está cheio!
    O versículo que escrevi acima levanta uma questão: será bom lembrar-me do meu passado? Será que me ajuda a ter esperança para o futuro? Creio que temos uma memória seletiva e, então, é possível encontrar os arquivos de coisas boas ou não mas onde a presença de Deus foi constante. Jesus esteve lá....e é isso que me ajuda a ter coragem diante dos desafios.
    Gosto de olhar para a minha infância e pensar nos natais em família, os momentos em que fazíamos as filhós juntos; das árvores de natal improvisadas pelo meu pai, arrancadas diretamente do pinhal ao lado da casa e decoradas com algodão que fingia ser neve; dos verões em Lisboa com as visitas à Feira Popular e os passeios de barco e o cheiro das sandes de mortadela na praia. E hoje nem o meu pai nem a feira popular existem, mas sempre existirão dentro de mim pelas memórias extraordinárias que estão gravadas no coração. Lembro-me das minhas amizades na adolescência e anos seguintes, em que ri tanto, diverti-me tanto, cresci tanto. E, uma vez mais, alguns também já não estão no meu universo e houve quem me deixasse até marcas profundas de dor. No entanto, numa fase da vida foram o meu encorajamento e colo. Mais tarde, o meu filho que foi um presente do céu em forma física depois de um diagnóstico de falta de ovulação. E nas perdas e nos ganhos, Jesus. Vejo-o sempre ao lado da minha cama, ao meu lado no carro, na rua, na escola, no trabalho, recebendo as minhas orações e respondendo com colo e poder.
    Hoje é tempo de encarar Jesus no passado e encontrá-lo no presente. Acreditar que Ele permanece o mesmo e que agirá como sempre agiu. Porquê? Deus não me deve nada: Ele já deu o Seu filho numa cruz, Jesus já deu a Sua vida mas conheço tão bem a Sua misericordia e amor que acredito que continuará a fazer algo todos os dias na minha vida e dos meus. Então, trago à lembrança todo o consolo, toda a paz, tudo o que Ele fez para continuar firme nos dias maus em que vivemos pois Ele é o mesmo! E Ele fez, faz e fará "mais do que pedimos ou pensamos" Ef 3:20
    Lembra-te das bençãos, conta-as, fala delas e olha para a frente e para o que DEUS pode ainda fazer hoje!
    
    Com amor,


    Cátia

sexta-feira, 18 de abril de 2025

 Bom dia!

Escrevo numa sexta-feira santa. Um dia triste - o dia que relembra a morte de Jesus. Uma morte que nos recorda que a morte pode não ser o fim!

Pela manhã li Job 17: 7 que diz "Meus olhos estão inchados de tanto chorar; sou apenas sombra do que já fui."

Quando leio estes versículos e penso na história de Job, compreendo a magnitude das suas palavras. A dor pode ser um cárcere da nossa alma. Podemos deixar-nos aprisionar pela força do que sentimos mediante as circunstancias. E nesse cárcere não conseguimos ser nós mesmos, não conseguimos encontrar força ou alegria nos novos dias. Job lidou com a perda de bens e, pior ainda, com a perda dos filhos. Não há maior dor!

Existem momentos que a força da angústia e dos acontecimentos nos roubam quem um dia fomos, o que um dia sentimos. E nesse momento se não nos relembrarem de quem somos, podemos perder-nos no caminho e nunca mais recuperar. Já ouviram falar de "raízes de amargura" ou de pessoas que se tornaram amargas devido a traições, perdas, dores? É um lugar onde não nos queremos encontrar, acredito!

O que podemos fazer em relação a isso? Eu creio que precisamos rodear-nos das pessoas certas, daquelas que trazem luz, que nos iluminam, que nos dão palavras que são mais fortes que qualquer coisa. Palavras que produzem vida em nós. Quando algo murcha em nós, precisamos que alguém nos ajude a florescer. A Palavra de Deus também é um lugar seguro: lembra-nos da nossa identidade e da forma como Deus prometeu estar sempre connosco. 

Certas circunstâncias vão-nos quebrar, angustiar, mas não nos devem mudar a não ser que seja uma mudança produtiva, aquela mudança que é feita pelo fogo: uma purificação e compreensão do que pode e deve ser mudado! Mas não devem mudar quem somos! Precisamos continuar a ser quem somos para o propósito que fomos criadas. Algumas coisas Deus usará para se glorificar e poderá transformar a maldição em benção. 

E a morte pode muito bem acontecer numa sexta, passar pelo sábado e encontrar alegria num domingo! Não precisamos ficar toda a nossa vida numa sexta-feira. Podemos ansiar pelo domingo e quando ele vier, que a ressurreição do nosso sorriso, da nossa vontade de realizar, da paz e da alegria de viver retornem e criem um tempo de esperança e luz. Damos pequenos passos...

Abraço de coragem,


Cátia